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O Rafting virou uma das mais populares atividades de aventura no Brasil.
Não podia ser diferente, no país com o maior potencial hidrográfico do mundo.
A Serra do Mar e o Planalto dão origem a inúmeros rios e riachos com corredeiras para todos os gostos.
Além da adrenalina, as descidas nos rios proporcionam também uma paisagem maravilhosa, muitas vezes em áreas remotas no meio do Cerrado ou na Mata Atlântica.
Mas a popularização também mostra o outro lado da moeda e nos últimos anos eu pude constatar várias vezes que alguns grupos de turistas confundiram uma descida de Rafting com uma visita a um parque de diversões.
A massificação ajudou nisso, não raro pode-se contar mais de 60 ou 70 (setenta!!!) botes descendo algum rio. Será que neste contexto a natureza ainda tem vez?
Os integrantes dos botes estão fazendo um barulho infernal, soltando gritos de guerra como “os loucos”, “os cachaceiros” ou “nós somos do ca....” e ainda batem com a pá do remo na água, cujo estouro deve ser mortal para vários peixinhos que ainda não fugiram desta bagunça. Como se tudo isso não bastasse, alguns instrutores ainda entram nesta farofada, tornando-se verdadeiros palhaços e incentivando os turistas às brincadeiras de mau gosto.
Muitos não sabem dizer, após uma descida, como era a paisagem durante o percurso – oba, será que estes não estariam melhor num Beto Carreiro World ou num Hopi Hari? – Escrevo isso sem querer menosprezar estes empreendimentos, mas a finalidade deles é diversão, com toda segurança, num ambiente artificial, o que os diferencia muito da nossa proposta.
O Rafting é uma descida em botes infláveis nas corredeiras dos rios. Não é um aparelho mecânico ou eletrônico que está proporcionando emoção – é o elemento água, que interage com as pessoas, e nunca pode ser controlado por inteiro.
Para mim, o Rafting continua uma das mais lindas e emocionantes atividades junto à natureza e eu gostaria de dividir este sentimento com todos os Rafteiros.
Claro que uma descida também deve ser diversão, mas sem exageros e sem agredir a natureza que nos cerca.
Os Rafteiros (profissionais e turistas) não devem esquecer o fator natureza, quase sempre linda e muitas vezes intocada, algo cada vez mais raro neste mundo. E o rio é muitas vezes o único meio de poder desfrutar desta maravilha. Sem falar nas próprias corredeiras - uma combinação de desnível, volume e rochas - onde tem sempre um pequeno fator de perigo e onde o homem se integra totalmente neste elemento, vira parte dele e somente com o esforço, união e habilidade de cada integrante de um bote, consegue vencer este elemento. Aí sim, é hora de comemorar e curtir a endorfina, depois de sermos tomados pela adrenalina no meio das corredeiras.
Mas nunca devemos perder o respeito por esta natureza maravilhosa e por este elemento água, que é a base da nossa vida. Ao contrário, devemos aprender a sentir e viver, no mais alto grau, a magia da mãe natureza durante uma descida de Rafting.
Saudações aquáticas
Otto Hassler
Ativa Rafting e Aventuras
ottohassler@ativarafting.com.br |